
Escrevendo por tantas vezes sobre o samba, julgo importante entender o porquê ele se faz tão presente não só nas minhas palavras como na minha vida.
Quando criança eu era embalada ao som de Benito de Paula, e desse inicio, me passaram a onda do pagode quando adolescente, ouvindo katinguele, exalta samba, sem compromisso, sensação... E mais pra frente a geração cacique de ramos, e por consequência a geração "Clube do Samba" João Nogueira, Clara Nunes, e então a descoberta de Paulo Cesar Pinheiro, o conhecimento maior sobre a obra de sambistas consagrados do Rio, Cartola, Candeia, Zé Ketti, Aniceto, Marçal, e por ai vai.. grupos como o Nosso Samba, Exporta Samba, de episódios fantásticos do programa Ensaio, a minha admiração pelo comediante Mussum, que me levou aos Originais do Samba, e paralelo a todo esse conhecimento adquirido do samba carioca, a minha paixão pelo samba enredo. Começou com os que década de 90, e então as décadas passadas, e mais antigas, e mais ainda... Vi que o samba me pegara.

Foi então que resolvi ver o que a minha cidade me reservava sobre a sua história em relação ao samba... Foi então que ela me encantou. Pelos quatro anos de faculdade, resolvi me esforçar para que todo o trabalho que fizesse, eu pudesse trazer essa história à tona. A festas religiosas no interior do estado, o batuque de tambu, o samba rural paulista, os cordões das décadas de 20,30,40 e 50, as histórias de homens e mulheres no decorrer dos anos, na evolução e no registro que o samba desta cidade me proporcionou. E por fim o samba enredo, que depois de 68; que São Paulo tem que se curvar ao modelo de carnaval de escola de samba; produziu.
Descoberto o fascínio, me embrenhei por essa cidade a descobrir mais... e ai vieram as visitas às escolas de samba, as comunidades de samba... e a construção da minha vida futura, os amigos que viriam e ficariam, o meu presente, e muito provável o meu porvir.
Projeto Nosso Samba, Terreiro Grande, Samba da Feira, Pagode do Cafofo, Berça do Samba de São Matheus, Maria Cursi, Samba da Ponte, Pagode da 27 e Samba da Vela, foram algumas da comunidades que estive. No que se refere às escolas de samba, estive em todas que compoem atualmente o grupo especial, mas fiz amigos no Camisa Verde e Branco, Vai- Vai e Unidos do Peruche.

Passar por todos esses lugares, conhecer todas essas pessoas, não fez de mim uma pesquisadora do samba, conheço as pessoas do samba, o que as torna mais ou menos humana, o que as fazem chorar ao lembra do seu passado, ou colocar-se em um pedestal para ser admirada. Aqueles que usam a velha guarda, aqueles que a preservam. Aqueles que estão no samba há tanto tempo que nem se lembram, ou aqueles que estão ha tão pouco tempo, mas acham importante falar de um passado que nunca estiveram. Aqueles que estão junto, aqueles que fazem questão de estar por cima. Os que não invejam, os que pecam pela inveja. Os que tiveram sucesso pelo talento, os que tiveram sucesso pela mediocridade. Os que falam muito, os que não falam, e os que falam besteira. Os que respeitam o samba, e os que apenas ganham dinheiro com ele. Os fortes, que resistiram, que perpetuam, que choram com as injustiças, que sabem reconhecer o parceiro. Os fracos, que ocuparam espaços pela sua pura falta de ombridade, que usam nomes e o poder, que são os autores das injustiças, e que não sabem o significado da palavra parceria... Neste mundo vi de tudo, acompanhei o reinado de alguns falsos profetas... E acompanhei as vitórias daqueles que mereceram.
Este mundo ambíguo, não me fez desacreditar no força do samba na minha jornada. Essas pessoas, esses espaços me deram o que tenho de melhor, meus melhores amigos. Pessoas que esses lugares habitavam, que entraram pela porta da frente e estão ao meu lado. Amigos que eu agradeço ao Samba da Vela, as minhas meninas,Barbara, Ana, Camila, Cida, Soraia e Patricia; os meus meninos, Nino, Luiz e André. Sem falar no prazer que é a proximidade que tenho de Maurilio, Magnu e Paquera.


Agradeço pelas pessoas que conheci na Zona norte, Júnior e sua trupe, Xande e sua trupe, A velha guarda do Camisa. A Bela Vista que fez parte da minha história por tanto tempo, A zona Leste de Cacilda e sua trupe,Jú sorriso e sua trupe, ao bar Você vai se quiser, de Graça Braga e sua trupe...

Sem grandes destaques, a minha história é como a de tantas outras pessoas, o que faz dela especial, são as pessoas que estão ao meu lado hoje, e o fato de eu ter um blog para poder agradecer a presença delas. Eu não fico abatida pelos ruins, pelos que não merecem, assim como subiram, hão de descer. Tenho certeza dos bons... por isso escuto os que estão ao meu redor, ouço o samba que eles produzem, pois tenho a certeza do ser humano que ali está. Toda essa história me trouxe segurança para amar aqueles que estão comigo, e para ouvir aqueles que merecem...
